Formação de professores

Apresentação

O governo federal através dos Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) e dos Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (1997), deu o primeiro passo em direção à tomada de consciência da importância da música para a formação do ser humano, incluindo-a, ainda que de forma não sistematizada, na prática escolar. As propostas dos PCN e do RCNEI provocaram mudanças no ambiente das escolas: seja por consciência pedagógica, por exigência de pais e da comunidade ou simplesmente para fazer cumprir as propostas oficiais; de fato, nos últimos quinze anos, houve impressionante incremento na presença da música nas escolas. Atualmente, o cenário da educação musical ganha novas perspectivas com a aprovação da Lei 11.769/2008 que torna novamente a música conteúdo obrigatório em toda a educação básica nacional. Nada sabemos de efetivo sobre a regulamentação da lei, ou sobre como as práticas musicais serão implementadas em sala de aula, concretamente; no entanto, a música voltou a ser admitida como parte da formação da criança e do jovem, uma conquista, sem duvida, muito importante. Caberá à sociedade estabelecer demandas que possam tornar sua inclusão realmente efetiva.

O valor da Educação Musical torna-se claro quando nos percebemos vivendo numa época de rupturas e saberes fragmentários, na qual a formação humanística, cada vez mais, cede lugar às disciplinas tecnológicas especializadas em detrimento do desenvolvimento humano das pessoas. Dessa maneira, torna-se necessário um novo tempo de reflexão para todos aqueles interessados nas potencialidades do ser humano.

A música, neste contexto, torna-se mais do que nunca, arte funcional distanciada dos padrões elitistas e acadêmicos que por tantos anos importamos da Europa, torna-se parte da formação integral da criança, ajudando a desenvolver capacidades cognitivas, expressivas, afetivas e de sociabilidade. Em nosso país, onde as carências educacionais são tantas, a música só pode ser interpretada como uma arte funcional. H.J.Koellreutter bem nos explica qual seria esta função:

“É necessário que a arte se converta em fator funcional de estética e humanização do processo civilizador em todos os seus aspectos. Somente o ensino da música como arte ambiental e socialmente funcional – e, portanto, enquanto arte aplicada a atividades extra-musicais, mas funcionais na sociedade – contribuirá para a conscientização do homem e para o desenvolvimento da população.”

Se por um lado desenvolve-se a consciência de que a música tem o poder de impulsionar transformações no ser humano, e inegável função social, por outro lado, é necessário constatar que estamos ainda muito distanciados das condições ideais para a realização do projeto, a começar pela falta de espaço para a formação pedagógico-musical dos futuros profissionais. Na formação de professores de educação musical e de I grau (educação infantil e ensino fundamental), a disciplina musical inexiste. Apesar de sua importância ser enfaticamente admitida na atualidade, aquilo que se oferece ao professor para que atue na matéria, muitas vezes, não passa de um repertório de canções infantis de duvidoso valor musical e pedagógico. O desenvolvimento artístico de caráter formativo está também ausente na formação dos professores. Estes, são lançados à sala de aula sem conhecer suas capacidades expressivas e criativas.

Nota-se em seu corpo falta de maleabilidade e expressão, inibição e bloqueio dos movimentos; em sua voz, falta de musicalidade e o cansaço do mal uso. Ao mesmo tempo em que as escolas construtivistas e a nova pedagogia exigem um professor criativo, capaz de improvisar e dar soluções imaginativas à uma variada gama de problemas em sala de aula e fora dela, a possibilidade de exercitar tais competências se apresenta completamente negligenciada em sua formação. Tudo isso preocupa, especialmente, ao nos darmos conta de que, o professor, nos níveis elementares de ensino, é modelo vivo, as crianças o imitam em cada gesto, atitude, expressão e entonação, e fazem dele uma espécie de membro da família a quem se entregam sem qualquer restrição.

Diante de tudo isso, chegamos à uma situação na qual o poder educacional da música – que em muito transcende a habilidade técnica para tornar-se um valioso recurso no desenvolvimento pessoal e social dos educandos -, deixa de ser devidamente valorado por gerações de professores que não tem recebido em sua formação básica os elementos para compreender o processo de formação integral da criança, e digamos ainda, para compreender sua própria formação enquanto formação humana, da qual deve fazer parte todo tipo de experiências: sensoriais, afetivas, intelectuais, sociais e, por que não dizer, transcendentais. Devemos assumir com entusiasmo não apenas a luta pela volta da música para as escolas, mas, em escala muito maior, uma outra luta que possa dar respostas satisfatórias às seguintes questões: como diagnosticar e compreender o papel da música nas escolas? Quais são as reais necessidades das crianças? O que a música tem a oferecer a elas? Como deveria ser a iniciação musical oferecida na escola?

É necessário compreender que a Educação Musical – entendida aqui como processo vívido e criativo – continua a obra da natureza, tornando o indivíduo apto a humanizar-se pelo desenvolvimento de suas potencialidades intrínsecas, pelo convívio cultural e pela aquisição de conhecimentos diversos. A metodologia de INICIAÇÃO E SENSIBILIZAÇÃO MUSICAL apresenta-se como uma ferramenta educacional para o desenvolvimento das qualidades criativas e expressivas dos professores e das crianças sob sua orientação.

Objetivos

  • Discutir um novo paradigma filosófico possível, amparado na Complexidade, na Transdisciplinaridade e no pensamento de Paulo Freire, que possa dar sustentação à reflexão sobre Educação Musical;
  • Conscientizar o professor sobre a importância de uma atuação mais criativa e expressiva, destinada a um educando concebido como ser humano multidimensional;
  • Preparar o professor para atuar de forma mais qualitativa com a música, iniciando por aspectos vivenciais, sensíveis e artísticos, e estendendo-se, num segundo momento a aspectos mais técnicos e teóricos da linguagem musical;
  • Propiciar um espaço de trocas e reflexão sobre a própria prática;
  • Apresentar e discutir repertórios, procedimentos e recursos didáticos disponíveis para a Educação Musical;
  • Possibilitar a vivência profunda de atividades expressivas e de criatividade que enriquecerão a prática profissional.

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