Metodologia

INICIAÇÃO E SENSIBILIZAÇÃO MUSICAL é uma metodologia para a formação musical inicial e para a formação de professores baseada no seguinte trinômio:
ESCUTA MUSICAL/EXPRESSÃO/INTERAÇÃO.

O processo de sensibilização musical, na forma que o compreendemos, pode ser descrito como a inter-relação das partes que compõem o trinômio: escuta/expressão/interação.

A ESCUTA, segundo estratégias bem definidas, é o ponto de partida. A escuta musical cria as condições necessárias para que a pessoa se torne receptiva ao ambiente sonoro, à fala do outro, à escuta de si próprio e à música, naturalmente; é também através dela que as condições fisiológicas, psicológicas e emocionais do indivíduo se transmutam, levando-o a estados de relaxamento, concentração, percepção e bem-estar que permearão todo o processo.

As percepções elaboradas da escuta transformam-se em EXPRESSÃO – corporal, vocal, instrumental e do imaginário. É através da expressão musical que se realiza o processo catártico. Percebe-se o desbloqueio das capacidades criativas individuais, do sentir, do fazer, do relacionar-se com o outro, do aproximar-se do outro, de seu corpo tanto quanto de seus sentimentos. Ao desbloquear suas potencialidades expressivas, o indivíduo é tomado por inusitada alegria indispensável à vida, e no caso específico da educação, indispensável à trajetória do ensinar e aprender. Com alegria e bem-estar o processo de conhecer torna-se vida.

Estas inter-relações entre a escuta e a expressão ocorrem na INTERAÇÃO DO GRUPO. Este, através de estratégias variadas de auto-regulação atinge o estado de sintonia que é realmente decisivo neste processo. O conceito de auto-regulação refere-se à uma forma de estar em sintonia total com o que os outros estão fazendo; nenhum indivíduo é completamente independente: se um começa, os outros devem continuar, cada elemento do grupo deve responsabilizar-se pela concretização das propostas , não permitindo que ocorram interrupções no fluxo, preenchendo os vazios, moldando-se conforme a necessidade, cada indivíduo é totalmente responsável pelo que acontece. Nessa perspectiva, o grupo torna-se um organismo, uma teia de relações delicadas e profundas. A trama emocional tecida pelo grupo e internalizada por cada um de seus membros é fundamental para a prática pedagógica, como reafirma C.G.Yung neste trecho:

A emoção é por um lado o fogo alquímico cujo calor faz com que tudo surja e cujo ardor -omnes superfuitates com nurit – consome tudo aquilo que é supérfluo-, e por outro lado, a emoção é esse momento onde o aço encontra a pedra e faz brotar a centelha: porque a emoção é a fonte principal de toda tomada de consciência. Não há passagem da obscuridade à luz, nem da inércia ao movimento sem emoção. (1)

Logo, o diferencial metodológico de ISM está naquilo que as pessoas conseguem perceber sobre si próprias. Dentre estas percepções, se poderia destacar: a percepção de que o processo de ensinar/aprender é vivo e prazeroso; a percepção de que a emoção é responsável pela alquimia que torna possível a relação professor/aluno, aluno/aluno; a percepção de sua própria fragmentação de ser e da fragmentação do processo de educar. Estas percepções, entre outras, são então fundamentais, pois, a partir delas, a mudança se torna possível, não somente para que se tenha melhores alunos e professores, mas sobretudo para que se possa viver melhor, amar, relacionar-se e reunir-se, promovendo a unidade de todas as dimensões humanas.

Vistas sob esse ângulo, algumas idéias e polêmicas correntes atualmente perdem o sentido, como por exemplo, a questão de “transmitir o conhecimento” ou “construir o conhecimento” . Nesta ótica, transmitir ou construir conhecimentos não é realmente um problema se o conhecimento for pulsante de vida, prazeroso e significativo para aluno e professor. As teorias críticas em educação admitem como estratégias na luta para a transformação da sociedade, a crítica intelectualmente construída e a ação política. Não se admite, ou não se dá crédito, a uma transformação da sociedade via transformação profunda do indivíduo através do prazer de viver, sentir e criar, por exemplo. É nisso que eu acredito: são os indivíduos que decidem fazer transformações e unir-se a outros indivíduos que também desejam transformações. São indivíduos que procuram ser íntegros, conscientes e, sobretudo, esperançosos e alegres ao vislumbrarem as possibilidades de mudança. É pela transformação do indivíduo, pela educação da criança, no nível mais sutíl e profundo, que desejaremos lutar.

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